O Segredo do Sucesso na Crise

A crise de 2008 deixou muitos ensinamentos ao mercado. Uma das lições veio de indivíduos que possuem dezenas de empresas: líderes antecipam mudanças enquanto os outros apenas reagem quando já atingidos. Por essa razão muitas vezes as reativas medidas chegam tarde. A crise não apenas é causada por comportamentos, como tem sua solução neles. A maneira como cada empresário se comporta – dos pensamentos às deliberações – determina o êxito ou o fracasso do negócio. As provas são incontáveis empresas que emergem justamente em graves conjunturas graças a fatores que vão da criatividade às decisões.

A única constante no universo é a mudança. Evoluir é diferente. Pesquisas mostram que menos de 08% dos empresários buscam aperfeiçoamento tanto pessoal quanto coletivo. Como resistir ao impacto de um colapso sem preparação, antecipação e evolução? Viajando por todo o país ministrando palestras sobre comportamento de sucesso na crise constatei que a maioria dos executivos se ancora às mesmas convicções de vinte anos atrás sobre modelos tecnológicos, culturais, ideológicos e de competitividade. Como o tempo e as mudanças são inexoráveis, vão ruindo e culpando as circunstâncias. Entretanto, raramente olham-se no espelho. Com a pressão causada pelo estreitamento da janela entre as mudanças em setores e culturas, o ciclo de vida de produtos e ideias passou a encolher para poucos meses.

O intervalo de tempo entre o momento de otimismo com um conceito inovador e o instante em que um concorrente aparece com algo muito melhor é exponencialmente menor. Se alguém faz sucesso na crise, outros também podem fazer! A chave está somente no comportamento, a começar pelo eliciamento de potencial humano. Também é importante ter cuidado com o prolóquio “é hora de puxar o freio”. Com tanto freio muitas empresas param de vez. Qualquer negócio é como um jogo de xadrez. Cada movimento (estratégia) tem que se antecipar ao pensamento do mercado e da concorrência.

Para ser bem-sucedido é essencial estar no controle do jogo, ser o jogador do xadrez, não a peça. Além disso, para encontrar o sucesso não basta criar valor, é essencial acompanhar as tendências, antever desafios, elucubrar sobre as variações na cultura do negócio e evoluir como líder. Humildade é fundamental. Se a crise de hoje é reflexo das resoluções de ontem, as ações de agora têm que projetar os negócios do amanhã. Foi assim que Harold Schultz tirou o Starbucks do colapso de 2008: cortou despesas e concentrou-se em aprimorar seus funcionários através de treinamentos para evolução comportamental e relacionamento com o cliente. “Estamos fazendo um trabalho hoje na loja do futuro”, disse na época ao USA Today. O Starbucks se recuperou e voltou ao topo! Para o bom líder, a crise cria avanços.